27 de fevereiro de 2015

Migrações forçadas, colonização e desigualdades sociais na América Latina: confecção de mapas de fluxos para o entendimento da dinâmica migratória

Daniela Feyh Wagner e Joel dos Santos Pereira
Bolsistas PIBID


Introdução

O termo migração corresponde à mobilidade espacial da população. Migrar é trocar de país, de Estado, de região, de cidade. Esse processo ocorre desde o início da história da humanidade. O ato de migrar faz do indivíduo um emigrante ou imigrante. 

Emigrante é a pessoa que deixa um lugar de origem com destino a outro lugar;
O imigrante é o indivíduo que chega em um determinado lugar para nele viver.

Dentre as migrações, tem-se as espontâneas e forçadas:

Migrações espontâneas – quando o sujeito planeja, espontaneamente, migrar para outro lugar, seja por motivo econômico, político ou cultural;
Migrações forçadas – quando o indivíduo se vê obrigado a migrar de seu lugar de origem, ou seja, migra contra sua própria vontade;

Com as grandes navegações e a expansão do capitalismo, registrou-se um grande aumento no fluxo de pessoas, principalmente vindo da Europa em direção às Américas. Devido a constante demanda de mão de obra e devido à proibição que a Igreja Católica impôs em escravizar os indígenas nativos para trabalhos forçados, os europeus buscaram na África esses trabalhadores, estimulando o aprisionamento de nativos no interior do continente, por meio de guerras tribais. Estes negros aprisionados eram posteriormente trocados por mercadorias e levados aos navios negreiros, nos quais eram transportados para trabalharem como escravos na Américas.

O tráfico de nativos africanos é considerado o maior fluxo migratório forçado já conhecido, que durou de meados do século XVI até meados do século XIX. O comércio envolveu a movimentação de mais de 3 milhoes de pessoas.

As colônias europeias da América Latina foram colônias de exploração, em que a terra servia somente para obtenção de lucros à metrópole, ou seja, tudo que era produzido ou retirado da natureza era levado embora. Não havia preocupação com o mercado interno das colônias, sendo que mais tarde, ao se tornarem repúblicas, os países recém livres estavam desestruturados.

De acordo com Boligian (2005, p. 99)

“Os países da América Latina possuem dívidas internacionais desde quando se tornaram independentes, devido aos onerosos gastos que tiveram durante o processo de descolonização ou até mesmo para custear suas despesas após desligarem-se das metrópoles”.  

As desigualdades começaram nas suas independências e continuaram aumentando, como pode-se perceber hoje, existindo uma grande desigualdade social nestes países, sendo a região mais desigual do continente Americano em termos econômicos, sociais e culturais.

A distribuição de renda é muito irregular, fazendo que haja bolsões de pobreza em todos os países. As populações na sua grande maioria vivem nos grandes centros, convivendo com o desemprego, subempregos, falta de educação, saúde e infraestruturas adequadas.

Durante décadas os países da América Latina vem tentando se livrar da dívida externa, sendo poucos os que conseguiram pular de países subdesenvolvidos para países em desenvolvimento.


Atividades desenvolvidas com duas turmas do oitavo ano

Após o estudo de conceitos referentes às migrações, à colonização das Américas, houve um estudo mais aprofundado sobre migrações forçadas (o tráfico negreiro), com a exibição de parte do filme “La Amistad” (1997). Com o recorte do filme, os alunos puderam perceber como eram tratados os escravos, as injustiças que sofriam.

Após o vídeo, foram desenvolvidas atividades em 3 etapas:

1. Os alunos elaboraram vídeos sobre a África, mostrando as desigualdades existentes no país, como também fizeram pesquisas sobre a cultura, onde trouxeram à aula músicas sobre o continente africano;
2. Houve a elaboração de mapas de fluxo, em que com o uso da Cartografia foi possível o entendimento da dinâmica dos fluxos migratórios forçados da África em direção às Américas;
3. Como terceira e última atividade avaliatória, foi elaborado um questionário para ser respondido pelos alunos, sobre tudo o que foi estudado sobre migrações, como também sobre as desigualdades sociais resultantes do processo de colonização.



Mapas de fluxos sendo elaborados.



Um dos mapas de fluxos produzidos pelos estudantes.


Foi possível perceber o interesse que ambas as turmas apresentaram em relação ao assunto, principalmente em relação à produção dos mapas de fluxo. O contato com a cartografia destacou a habilidade de alguns alunos com desenhos. Outra atividade, a produção de vídeos sobre a África mostrou a habilidade de outros, sobre elaboração e edição de imagens, seleção de músicas. A atividade com as perguntas gerais sobre as temáticas abordadas infelizmente não foi muito proveitosa, pois foram poucos os alunos que devolveram o questionário respondido, entretanto os que devolveram haviam elaborado boas respostas.

O trabalho realizado mostrou-se muito proveitoso, com resultados muito positivos para nós, professores em formação.


Estrutura etária e população da Europa: estratégias em sala de aula

Maycon Fritzen e Renato Canonico de Souza
Bolsistas PIBID


Para cada tema que nos propomos a trabalhar em sala de aula, surgem dificuldades quanto às possibilidades de organizar uma metodologia que torne a atividade instigante e ao mesmo tempo aprofunde a construção do conhecimento com a participação dos alunos. Mais especificamente, quando observa-se em específico um continente, no nosso caso o continente europeu, já vislumbra-se para o conteúdo referente a estrutura etária e a população algumas possibilidades teóricas e práticas bastante efetivas.


Pensando nessas metodologias possíveis, traçou-se a estratégia de construir um entendimento processual de conceitos fundamentais da demografia, para entende-los numa teoria maior de evolução demográfica para então observar o caso específico de Europa, mas também colocando como comparativo próximo à realidade dos alunos o caso brasileiro. Nesse sentido, estudaram-se primeiramente as taxas de natalidade, mortalidade e a expectativa de vida. Esses três dados articulados formam a tese central da teoria de transição demográfica, que explica muito da realidade do crescimento e envelhecimento da população e diferentes países. Conhecendo os conceitos, os alunos compreenderam facilmente a construção do seguinte gráfico:



Fases da transição demográfica
Fonte: UOL Educação



O gráfico foi construído na lousa, apresentando fase a fase da transição e exemplificando os motivos e cada mudança, relacionados principalmente ao estilo de vida da população e os avanços científicos no campo da saúde. Dessa forma já foi possível fazer o paralelo com a própria trajetória dos alunos, que tem na sua maioria os avós vindos do campo, os pais participando do processo de êxodo rural e eles próprios a geração que nasce e cresce no contexto urbano. Finalmente o terceiro momento da aula com o 9º ano foi dedicado a observar como isso se reflete nas pirâmides etárias de cada década, apresentando as pirâmides etárias de diferentes países da Europa, da década de 1980, 1990 e de 2010. Com o suporte teórico de artigos que tratam o comparativo com o caso brasileiro, também é possível estabelecer um paralelo com o Brasil, bastando colar na lousa as pirâmides etárias previamente impressas para tal fim. 

A atividade foi bastante produtiva e deu conta de abarcar conteúdos e conhecimentos que o próprio livro didático não traz no seu texto, limita-se apenas a mencionar em algumas frases. Esse exercício de observar primeiramente uma construção teórica e posteriormente dados demográficos mais antigos e atuais conseguiu mostrar como efetivamente se dá o processo de transição demográfica e explicar boa parte das dificuldades que os países europeus enfrentam hoje, com o envelhecimento da população.


Leitura Sugerida

SILVA, Barbara-Christine Nentwig. SILVA, Maina Pirajá . Brasil e Europa: uma análise comparativa das estruturas etárias. Scripta Nova (Barcelona), v. XIV, p. 310-322, 2010.



7 de outubro de 2014

O desenvolvimento sustentável na escola


Bernando Luza, Edcléia Ambrosini Pedon,
Michelli Zamboni e Verenice Pappis
Bolsistas PIBID


Desde meados do século XX, nossas principais conquistas em relação ao bem-estar humano resultaram, sobretudo, de extrair da natureza tudo o que ela pode nos oferecer. Assim, devido ao crescente uso e consequente degradação do ambiente natural, busca-se hoje uma consciência cada vez maior de que nossa dependência pelo meio ambiente, podendo levar a novos esforços para reverter o declínio dos recursos naturais.

O Brasil apresenta em sua matriz energética uma participação expressiva da geração hidrelétrica, no entanto, a construção de reservatórios para a geração de energia elétrica provoca impactos nos meios físico, biológico e social que causam alterações na economia das regiões afetadas pelas usinas hidrelétricas. Assim, o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental podem e devem crescer em equilíbrio, justificando e revelando o grau de maturidade social e cultural de um povo, bem como a utilização plena da razão na satisfação dos desejos humanos.

Para realizar algumas intervenções referentes ao assunto em sala de aula e, desta forma, conscientizar os alunos da escola, começamos um trabalho didático-pedagógico na Escola Tancredo Neves baseado na perspectiva do desenvolvimento sustentável. Este não deve ser visto como uma revolução, ou seja, uma medida brusca que exige rápida adaptação e sim um conjunto de intervenções graduais e progressivas tomadas a fim de integrar o progresso ao meio ambiente para que se consiga, em parceria, promover o desenvolvimento socioeconômico sem degradar o ambiente. O progresso e o crescimento populacional trouxeram consigo uma grande preocupação sobre como continuar se desenvolvendo com qualidade, sendo que os recursos estão cada vez mais escassos.

Um dos principais objetivos das atividades didáticas realizadas foi mostrar que existem diversas maneiras de conservar o meio ambiente, porém, isso é dever de todos, trabalhando de forma coletiva para melhorar cada vez mais o espaço em que vivemos.

Logo de início, orientamos e direcionamos algumas atividades referentes ao assunto com os alunos do oitavo e nono anos do ensino fundamental. Primeiramente, os alunos tiveram uma palestra realizada pela Polícia Ambiental de Chapecó, na qual foram apresentadas informações importantes para a prática da cidadania e o trabalho na comunidade, preservando a natureza e os seres que nela habitam.

Complementando a palestra, os alunos participaram de uma trilha ecológica na sede da Polícia Ambiental, aprendendo um pouco mais sobre as espécies de plantas existente naquele local e suas contribuições para a humanidade. Ainda na trilha, aprenderam a fazer um minhocário, que auxilia na decomposição de matéria orgânica produzida. Logo após, passaram na sala “museu”, onde há um conjunto de animais taxidermizados provenientes da mata nativa da região, que foram encontrados mortos e recolhidos pelo minimuseu.



Estudantes na trilha ecológica da Polícia Ambiental de Chapecó.


Em sala de aula, a primeira atividade realizada foi uma apresentação do que é o desenvolvimento sustentável. Em seguida, a turma foi dividida em grupos para trabalharem com  alguns textos e com os seguintes temas: a chuva ácida e como ela acontece; a poluição do ar e às doenças respiratórias; água, por que preservar e não poluir; como e por que devemos separar o lixo; o que é desmatamento e suas causas, e; a causa das queimadas e como evitá-la. Foi solicitado aos alunos, que produzissem um texto relacionando o que foi trabalhado na palestra, na trilha e o que tratava o texto distribuído.



Momento da produção textual pelos alunos. 


Finalizando o tema, os alunos leram seus textos para os colegas, explicando desta forma os principais motivos de se preservar e as consequências decorrentes da falta de atenção com os recursos naturais.  

Concluímos, juntamente com os alunos, que o conceito da sustentabilidade surge, então, com a necessidade de desenvolver atividades que durem em longo prazo, se auto mantendo, abastecendo o presente e preservando a sobrevivência futura da atividade. O desenvolvimento sustentável propõe a sustentabilidade em todos os setores, em especial no meio ambiente, pois este é formado recursos essenciais à sobrevivência humana e precisam ser sustentáveis para atender às necessidades básicas. 

29 de setembro de 2014

A Geopolítica na Sala de Aula

Maycon Fritzen
Bolsista PIBID


Em primeira vista a Geopolítica aparenta ser uma área do conhecimento geográfico que acolhe uma gama de conteúdos muito sistemáticos e rígidos, intransponível por práticas pedagógicas diferenciadas. A compreensão da organização do espaço mundial a partir da disputa de poder entre grupos sociais ou mesmo entre países é sempre composta de esquemas conceituais e de uma sequência de fatos históricos, o que perpassa de antemão um roteiro “tradicional” de ensino, e não dá abertura para atividades mais lúdicas em sala de aula. No contexto escolar, se buscamos uma Geografia renovada, precisamos arejar não apenas os seus conteúdos e o modo como são organizados, mas também o modo como se dá o trabalho pedagógico em sala de aula.

É nesse sentido que buscamos realizar com os alunos da turma de nono ano (92) da EEB Tancredo Neves uma atividade intitulada E se a sala de aula fosse o mundo?, com o intuito de trazer as relações desiguais de disputa pela hegemonia econômica e militar para a sala de aula, aproximando à sala de aula de uma realidade que não se apresenta de maneira intensa no cotidiano dos alunos, mas que dita o ritmo do mundo através da hegemonia de alguns países  no campo geopolítico.

Primeiro dividiu-se os alunos em grupos de três, cada grupo com um país correspondente e que deveria selecionar entre os componentes do grupo um soldado, um presidente e um cidadão. Os países escolhidos previamente trazem extremos entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, são eles: Estados Unidos, Brasil, México, Alemanha, China, Haiti, Senegal, Namíbia, Mongólia e Coréia do Norte. Na sequência, a riqueza econômica da sala, simbolizada pelas mochilas e material escolar dos alunos, foi redistribuída conforme a proporção do Produto Interno Bruto de cada país no contexto mundial. Países ricos acumularam mais mochilas do que integrantes, enquanto os países pobres ficaram com, no máximo, uma caneta. Na sequencia, redistribuíram-se os soldados integrantes dos grupos, com a China, Estados Unidos e Alemanha acumulando mais que um soldado segundo os dados disponíveis sobre as forças armadas de cada país.

Depois de organizados os grupos, países e redistribuições, a tarefa para o segundo momento foi iniciar a produção nacional, caracterizada pela elaboração de um texto com o título “O contexto geopolítico mundial após o final da Guerra Fria”, decorrente das discussões que já havíamos realizado em aulas expositivas anteriores. As primeiras dificuldades aparecem: como um país que não tinha as condições materiais poderia produzir? Afinal, havia grupos apenas com uma caneta. Então encaminhamos a reunião do nosso conselho da Organização das Nações Unidas – ONU, composto pelos presidentes de todos os países. Assim, alguns países como a China, ofereceram soldados para ajudar mesmo sem fornecer o material e a Alemanha providenciou “ajuda humanitária”, emprestando cadernos e canetas aos países pobres. Finalmente os alunos encaminharam a elaboração do texto, segundo o país com o qual foram sorteados. Na aula seguinte, foi necessário retomar a atividade, perfazendo novamente o caminho realizado durante a dinâmica com os alunos descrevendo sua experiência enquanto países ricos e países pobres.

Certamente a renovação do ensino da Geografia escolar passa pela criatividade de quem está em uma posição de responsabilidade direta pelo processo de ensino, aprendizagem e avaliação: o professor. É inerente ao labor professoral que sempre estejamos inovando, tanto em teorias-conteúdos como em práticas. A dinâmica do espaço geográfico sob a globalização faz com que a cada dia presenciemos um mundo mais complexo e de fluxos mais rápidos, sendo assim, porque vamos perder a oportunidade de também inovar e (re)invertar a cada dia nossas práticas em sala de aula? É libertando-se das amarras do ensino tradicional e caminhando na direção de um ensino dinâmico e criativo que tornaremos a Geografia um campo do conhecimento científico cada vez mais apaixonante aos nossos alunos.